Extremismo violento
by Luis Cabral
O presidente Obama organizou recentemente uma cimeira na Casa Branca para discutir o combate ao extremismo violento. A escolha de palavras não é uma coincidência; concretamente, Obama fez questão em evitar a expressão “extremismo religioso”. A reacção da direita iluminada não se fez esperar: “para quê organizar estes encontros cheios de correcção política (PC), se todos sabemos que o problema é que há uma religião que quer matar todas as pessoas que não são dessa religião”?
Esta posição é quase tão perigosa quanto o extremismo (violento ou religioso) em si. Uma das grandes falácias do debate sobre os atentados em Paris e Copenhaga é a ideia de que o terrorismo é um fenómeno religioso. Não há dúvida de que os ataques estão relacionados com o Islão: basta ouvir os assassinos que proclamam o nome de Alah quando executam as suas vítimas; mas daí até dizer que o Século XXI é a era das novas guerras religiosas vai uma distância muito grande.
Em boa parte, trata-se de uma questão de identidade. Com as devidos ajustes, pensemos no papel da Igreja Católica na Irlanda e na Polónia. Em ambos os casos encontramos povos que, durante séculos, foram vítimas do domínio de nações de dimensão e poder superiores. Em ambos os casos o catolicismo funcionou como que símbolo e raiz de unidade nacional. No entanto, não se pode dizer que o terrorismo irlandês fosse executado em nome do Deus da Igreja Católica e contra o Deus da Igreja Anglicana; ou que a resistência polaca proclamava o Deus da Igreja Romana contra o Deus da Igreja Russa Ortodoxa.
Em parte, estamos também perante um fenómeno demográfico. Mark Steyn, um jornalista com quem nem sempre concordo mas que escreve de forma genial, lembra no seu livro “America Alone” que a idade média dos habitantes da faixa de Gaza é 15.8 anos. Estamos perante uma multidão de jovens que têm pouco a perder — que não têm nada a perder.
Obama prefere não se referir ao ISIS e ao Al Qaeda com termos religiosos porque isso legitimaria essas organizações como representantes do Islão. As palavras são importantes. Nesta instância, tendo a concordar com a “correcção política” de Obama.