Conversão ecológica

by Luis Cabral

Na recente encíclica Laudato Si, o Papa Francisco escreve que nos falta uma “conversão ecológica”, e que para este efeito não basta a educação, é também necessário mudar os hábitos, cultivar “virtudes sólidas”.

Tal como em noutras partes da encíclica, o Papa desce a exemplos muito concretos: “Se uma pessoa habitualmente se resguarda um pouco mais em vez de ligar o aquecimento, embora as suas economias lhe permitam consumir e gastar mais, isso supõe que adquiriu convicções e modos de sentir favoráveis ao cuidado do ambiente”.

De uma forma mais geral, o Papa apela a “pequenas acções diárias”, capazes de “dar forma a um estilo de vida”. Aliás, é disso que se trata quando se fala de “virtudes sólidas”: a virtude é um hábito que se adquire à custa de repetir “pequenas acções diárias”. Mais exemplos vindos da pena de Francisco: “evitar o uso de plástico e papel”, “reduzir o consumo de água”, “apagar as luzes desnecessárias”, “servir-se dos transportes públicos”, etc.

Mais à frente, acrescenta um outro conselho que me chamou a atenção: “Voltar (…) a utilizar algo em vez de o desperdiçar rapidamente”. Lembrei-me de um artigo que li há anos e que guardei na pasta de “artigos interessantes”. Escrevia uma portuguesa que “desde que vivo na Holanda, terminou o pesadelo do regresso à escola”. A ideia é muito simples: no final de cada ano, os alunos devolvem os livros à escola para que sejam usados pelos alunos do ano seguinte. (Se os livros forem muito mal tratados o aluno poderá ter de os pagar, no todo ou em parte). Desta forma, poupa-se papel, poupa-se dinheiro, poupam-se chatices.

Mais uma sugestão para a “conversão ecológica” de que todos necessitamos.

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